Conheça um pedacinho da vida de Tyane

Conheça um pedacinho da vida de Tyane

Vou começar dizendo que é um prazer escrever a você. E já começo também dizendo que eu gosto de escrever em primeira pessoa. Não gosto desse negócio de distanciamento científico. A gente é gente e sujeito. 

Um dia desses, precisei me apresentar para pessoas desconhecidas em uma palestra e fiqueui pensando: o que é que eu vou dizer sobre quem eu sou? O que significa ser eu?

Então, para além dos rótulos, quero dizer que sou uma sonhadora. Sou uma mulher de 1.70cm, parda, com cabelos e olhos castanhos. Sou neta e filha de mulheres fortes que vieram antes de mim e abriram o caminho para que eu pudesse passar. Também sou mãe de um menino lindo que se chama Assum, o meu passarinho cantador.

Minh trajetória com a arte não é de hoje. Ela me acompanha há mais tempo do que posso contar. Comecei a desenhar ainda criança e, por volta dois seis a oito anos, os professores da minha antiga escola começaram a reparar que não eram somente rabiscos. Eu já fazia retratos realistas nessa época.

Após isso, cresci com os desenhos e a pintura à minha volta. Sempre encontrando um espaço e uma desculpa aqui e acolá para parar tudo o que eu estava fazendo e desenhar. Nesse processo, colecionei alguns sketchbooks rabiscados e passei por diversos movimentos artísticos, desde o barroco até o abstrato e a arte moderna. Aqui, neste tempo, chego na contemporaneidade. 

Há 10 anos desenvolvo arte, projetos autorais de muralismo, ilustração e arte visual. Minha trajetória sempre transitou entre a arte e o espaço. Formada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal de Alagoas e mestre em Arquitetura e Urbanismo, encontrei na pintura uma forma de traduzir em imagens aquilo que mais me comove: a casa, o cotidiano, os livros, a maternidade e os pequenos gestos que sustentam a vida.

Após a maternidade, muita coisa se refez aqui dentro e eu decidi trilhar caminhos outros com relação à arte. Decidi que queria pintar gatos. Não só por eu ter duas gatas lindas e por ter crescido rodeada desses animais, mas também pela admiração aos felinos. Gatos são interessantíssimos de serem observados. Possuem gostos e jeitos muito específicos. Assim, inspirada numa tradição que veio bem antes de mim - desde o Egito antigo à idade média, à era vitoriana -  me vejo nos trabalhos de artistas como Briton Rivière, Louis Wain, Henriette Ronner, Catherine Nolin e, mais perto de nós, o grande Aldemir Martins, brasileiro que pintava gatos com trejeitos muito engraçados.

Além dos gatos, gosto de pintar mulheres - e também mulheres com gatos. Existe um medo muito antigo de mulher que tem gato, especialmente se for preto, então, eu gosto de brincar com isso e de me arriscar no traço. Ademais, as frutas tropicais e brasileiras, com destaque para o caju, fazem parte do meu imaginário artístico, bem como o mobiliário e o design Bauhaus e brasileiro. Acho que tudo isso me faz como artista. É tudo o que eu gosto.

Em minhas obras, creio que os gatos e as mulheres assumem esse papel de protagonistas entre literatura, afetos, brasilidade e vida doméstica porque isso reflete muito a minha própria rotina e vida. Eles leem, tomam café, vinho, contemplam o mundo e encarnam, de maneira lúdica, nossas inquietações, desejos e modos de habitar o cotidiano.

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